quarta-feira, 21 de junho de 2017

Me lacre com um beijo

Enquanto não posso estar com a pessoa certa, deixo que meu corpo vá indo com as pessoas erradas perdendo-se cada vez mais. Como Alice no País das Maravilhas todos os caminhos levam a Rainha.
Na aparência de uma inverdade, construirei verdades de açúcar. E se necessário for, com poucas lágrimas destrua tudo o que em nada esteve preso, fixo, permanente... não é amor, mas sobrevida!
Outra vez mais, mais um ciclo, outro rodopio. Será que estou mesmo perdido ou indo de encontro a um novo fracasso?
Quando será que meu coração se fará sábio, se fará autossuficiente, se fará pleno diante do que suprime os seres que amam?
Pequena criança não deseja mais dançar, mas o corpo não obedece estamos nos destruindo, ainda assim persistindo naquilo que não sabemos fazer direito. Quero tanto o que me foi dito por outro: "Uma vida de poucos amores"... e repetidamente a lista cresce na mesma medida em que a esperança diminui junto a ela a própria vida. Até quando terei chances para tentar?
Preciso de uma boca que me faça prisioneiro sem desejos de escapar, mas sim na ânsia de cada dia me prender ainda mais até que um não se desvincule mais do outro = idéias, cheiros, sentidos, sonhos, manias, sorrisos, corações batendo juntos, cama dividida, calor compartilhado... um pouco desse tempero de tudo que o emocional agoniza aguardando, clamando - desespero - solidão.

sábado, 17 de junho de 2017

Xiiiiiuuu!


Como uma criança, recorrentemente com medo do mundo e da vida corro para os teus braços na expectativa que esse aperto me proteja de tudo. Me agasalhando entre o seu calor que ilusoriamente sufocaria minhas angustias me salvando de mim mesmo, tento encontrar o conforto. Infelizmente conforto não existe mais desde que obrigadamente tivemos de crescer e a vida que era de brincadeira se tornou densa e pesada.
Queria eu poder encontrar aquela coisa mágica que nos mantém em equilíbrio, plenamente ajustados a mediocridade da vida. Contudo deixo meu corpo ser levado como se já me encontrasse morto, de modo que qualquer um faz o que bem entender de mim.
Sou pessoa sem alma, movimento sem pensamento, dia sem luz. Ser sem rumo, desperdício de vida desnecessária. Palavras engolidas me engordam e pesam me levando cada vez mais para o fundo de mim mesmo. Um mantra inverso de aprisionamento, corte a corte deixando cicatrizes que não se fecham mais. Vejo o sangue esvaindo, assim como os sonhos, desejos e persistência.
Sem ser o salvador de mim mesmo e sem ter um salvador pressiono o peso de minhas escolhas, enlouqueço com a pintura feita da realidade. Tanta promiscuidade pedagógica quanto a fugacidade das sentimentalidades me deixam enamorado dos desencontros, não me ajusto a essa impermanêcia.
Desconectado da minha essência criativa, torno-me um suicida potencial com grandes conquistas destrutivas e, quem sabe em algum momento, irretornável.
Existe beleza e tristeza que não se conciliam em minha ansiedade de vida, da qual como expectador observo as realizações de todos os mundos diversos que representam as pessoas
 e me dói, dói ver que perdi os meus olhos em uma janela telada por onde observo a solidão.
Solidão do que sou em segredo, assistindo as vidas de ex, amigos, desconhecidos e seres imaginários. Na saudade da lembrança de suas peles, lábios, cheiros, possibilidades... tudo me machuca mais um pouco e como um viciado minha crise de abstinência parece obrigar-me a estar entorpecido ou morto. Não há escolha positiva. Não há visão de cura ou solução.
Salva-me da vida oh acaso que tira vidas, calculo não programado do fim.
Grita o peito e a boca em silencio o tamanho dessa dor que assola o coração burro com o qual fui dotado. Todos os dias me punindo por querer insistir em manter, de alguma forma inexplicável, vivo. Eu vivo?
Nem mesmo as carícias por estranhos também feridos a seu modo conseguem penetrar minha pele dura. Sem esperança, canto e choro feito criança o pesar de dias que passam lentamente, eu preso a lembranças sufocantes que não matam, mas ameaçam fazê-lo.
Compulsiva loucura que se apossou de mim.
Afastem-se todos em quanto é tempo, pois não vale a pena insistir no que está fadado definhar assim... uma ultima lágrima que escorre e beija minha boca, me aquece um pouco mais antes do completo enrijecimento e gélido corpo deitar. Durma e não sonhe, não pense, não exista. Tudo acabou agora, não precisará mais esperar o amor impossível. Não esperar mais a mão que te guia, olhos que com teus olhos em silencio conversam... nada mais esperar, sem espera e sem pressa, sono. Feche os olhos e deite sobre meu colo enquanto com um ultimo cafuné aguardamos seu final, nem triste e nem feliz, apenas um fim.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Sorver

Um coração dolorido sente o peso da solidão inconectável que habita nosso corpo. Em minhas entranhas sinto a dor dilaceral de encontrar em cada rua, cada estabelecimento, cada parte dessa cidade a crueldade do nosso silêncio. Embora adore brincar de signo não há vingança que modifique os sentimentos doídos. Não vejo reparação suficiente para que a vida se inicie mais uma vez.


Fomos distanciados à força a uma distância tão grande que correr atrás poderia levar uma vida inteira e ainda assim não sermos bem sucedidos. Toda vez que tento pensar o contrário vejo que não há disposição verdadeira o bastante de nenhum dos lados para passar pelas provações necessárias. A vontade vaza o corpo junto ao suor e os sons de “No regret” se tornam, também, distantes. Somos como em “Dolls” arrastados pelo fio do destino negando a realidade, esquecido, perdidos.
Não sei o que fazer ou para onde ir. A insustentável leveza me descentraliza e perco a cabeça... Que seja feita a oração de um novo salvador e possa ele sanar todas feridas, todos buracos, todas necessidades junto a memória fugidia que tem sido apagada ferozmente pelo coração.
Prevejo novos erros, nova queda, um novo ciclo... meu vício desnecessário de "alguém".

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

No Regret - A vida que ambos desperdiçamos


Agora o que restou são apenas fotos não reveladas de tudo o que poderíamos ter sido, mas nos negamos. Resta a dor crescente de tantos futuros planejados e sonhados como verdadeiros agora plenamente negados. Isso somada a angustia enojante de ter me torturado com cenas e situações destrutivas as quais fixaram em minha pele e memória a dor de você existir.
Não fizemos por merecer nem fomos um a força que faltava no outro, assim como não trocamos intimidades nos fazendo ser, ou ao menos parecer ser um casal anacrônico, só em nossas cabeças e em minha vida que tínhamos um “pseudo” relacionamento. Pelo menos na minha tenho com quem chorar porque você existia, já na sua eu não tinha ou tenho nem ao menos o título de fantasma.
Extremamente desvalorizado e de vida negada você tentava me compensar ao seu modo, mas não ouvia meus lamentos de loucura e me negava, me fazendo te negar sem que eu conseguisse voltar atrás. O meu tempo de recuperação era bem mais longo que o teu, mas nosso desencaixe fazia com que nos tornássemos inatingíveis.
Agora estou muito doido por ter me obrigado a uma segunda chance tão desastrosa.
Agora fico com essa incerteza da vida de aqui para frente, fico com magoas de não ter tido chance de realizar minhas vontades e nem de ter sido capaz de superar as dificuldades.


Estou morto e toda vez que passo por alguns cômodos de casa fico com as ideias perversas e pervertidas do que aconteceu... a busca por cumplicidade parece uma meta inalcançável e voltar a tua pele me recorda sangue e carne do crime cometido no ultimo suspiro de nossa vida agora enterrada. Dos meus olhos que não conseguiram ver os teus e da tua incapacidade em ter feito valer a sua consciência e responsabilidade pelos fatos.
Você me deixou morrer assim como ao Pudim, nos negligenciando e toda vez que tento pensar para alem disso minhas mãos tremem e fico sem força de escrever porque me dói pensar que... chega! Não quero me torturar ainda mais pensando em um nós sem sentido, pensando em como eu amo e quero continuar amando sabendo que você é minha destruição e não teve força o suficiente para ser um namorado de verdade e valoroso, ser alguém que toma as rédeas do destino e faz acontecer da forma como você quer e não como o mundo parece te impelir para. Me transformo em um bipolar ao teu lado e já não sei o quanto posso ser bom ou ruim sem você. Não sei mais o que sou.
Como morri perdi todo meu sentido de ser.Não me peça abraços sabendo que isso me levará de volta a viver o que me matou. Todo dia eu vou morrer ao nascer do sol sabendo que tivemos uma vida e não levamos adiante tal qual você já leu em “ensaiando um sorriso” eu vou girar de cabeça em não

refletir, apenas consumindo a minha carne sem valor algum. Estou exausto e embora pareça muito simples e muito vazio o que vou escrever agora é essa simplicidade que traduz e resume tudo:
ESTOU DESAPONTADO COM VOCÊ PORQUE ACREDITEI QUE VOCÊ PODERIA SER MELHOR DO QUE QUALQUER UM E MELHOR DO QUE MIM MESMO, ALGUÉM COM QUE A VIDA EM CONJUNTO NOS FIZESSE DESCOBRIR UMA VIDA APROVEITÁVEL ATÉ SEU FINAL OLHO NO OLHO, VIDA A VIDA, DORES E FORÇAS COMPARTILHADAS SEMPRE INDEPENDENTE DA DISTANCIA UM O APOIO DO OUTRO.
Agora pouco a pouco seremos dois estranhos que costumavam se conhecer, por isso espero poder ter você longe das vistas, longe da minha rotina a fim de frear o crescimento da dor e da angustia por ter tido esperanças frustradas por nós dois.
 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Egocêntrico

Egoísta eu, egoísta. Egoísta que me desejo e quero tudo apenas para mim mesmo, eu e a mim (me desejo).
Fechado em meu mundo eu excluo todo o resto usando e abusando apenas do que me faz feliz na minha medida das coisas. Se o real não é valido posso sempre me refugiar no imaginado por mim. O mundo se dobra a minha vontade guiado por meus olhos bocas e ouvidos complacentes.

Passando por cima dos outros, quando muito em confronto, preciso analisar o quanto estou apto a fazer o mais positivo possível em meu benefício sem que precise ceder tanto para tal. Nada de exorbitantemente novo, essa é a relação social em que nós cada vez mais narcisos escolhemos o nosso próprio sol e umbigo como centros de felicidade e ação. Desapegadamente os sentimentos são meras reflexões do meu mundo murado. Pareço forte enquanto a sustentação não ultrapassa esse espelho delirante do ideal individual, cada vez mais em ascensão.
Em meio as tempestades, todos eus adentram o inconsciente e são sublevados pelo superego. Dominadores e dominados giramos a roda da consciência por personalidades diversas com um fim sempre semelhante. Preso a essa vanglorização, megalomania, sentimentalização tão encantadas a minha observação, eu me perco igual a todo mundo. Perdidos através de fotos, sorrisos ensaiados, necessidades produzidas para reproduzirmos o ideal padrão de vida plena. Assim segue a felicidade do Narciso refletindo e definhando em insensatez, em esvaziamento da leveza do ser. Nos considerando tudo, somos pouco mais do que um nada. 

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Jubileu




Repentinamente despertou em um quarto completamente sem luz ou som, mas repleto de odores. Olhou ao redor como se pudesse ali enxergar ou faltasse a sua visão do sono acordar. O braço lentamente foi tateando o entorno, sentindo a textura e temperatura do tecido onde o corpo esteve, por tanto tempo, inerte. Seguindo, deslizando até encontrar a madeira rija do criado mudo, e depois o frio da porcelana do prato onde repousava uma vela a qual após acesa parece ter preservado uma escuridão ainda leitosa, densa a ponto de quase não dissipar-se, mas o bastante para que reconhecesse ali: O Eu.
Com muito esforço me levanto desse quarto sem formas e caminho por um caminho sem identidade até uma mesa perdida no nada. Me sento e posiciono a vela em seu centro, inclino a cabeça e peso o grau de minha solidão. Literalmente não se escuta som algum, parece até que o tempo parou. Nada menos do que uma ilusão, pois na verdade, com a pele enrugada estou comemorando meu aniversário e nesse mesmo instante noto dois gatos os quais estavam inaudivelmente sobre a mesa me observando. O que será que existe fora desse momento? Fora desse campo de visão desgastado a ponto de sufocar com negritude e solidão sons e cores. Apenas o cheiro pútrido de pele decompondo junto a suor, esperma, mijo e falta de dignidade são perceptíveis.
Ainda por cima a memória não ajuda, são tantos os lapsos que não consigo relacionar o tempo entre pensar e delirar. Uma apatia gritante de onde reflito, e sem conclusão alguma ou lembranças sobre o que estaria pensando me levanto. Arrasto pé ante pé deixando a vela para traz e solto o corpo em queda sobre a cama ainda úmida e fedida. Após despencar feito fruta podre, vou perdendo os sentidos, já não sei se respiro ou estou vivo. Simplesmente me entregando a esse silencio, essa escuridão, esse nada que havia antes do meu nascimento.
Eu me deixo para traz naquela cama...
Mais um ano se passou, mais uma vida, mais um nada para a insignificância da existência.
Talvez quando eu acordar, se houver outra manhã, que seja eu um vegetal e minhas cores se iluminem por si só em um mundo que também não existe e não exista nele a necessidade de sóis e estrelas. Mais uma nova queda – Sono.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O de sempre

Pedaço de terra, morte e veneno
sou o engano,
a incerteza,
a loucura e o caos. Falam-me palavras mudas guiadas por Fúrias dentro da mente ecoando a discórdia... Sibila e dói angustia crescente de um eu traído. Desacordo selado no silencio. Venenos sanguíneos memorizados, tradição sublime da destruição.
Agora resta a dança preparatória de todas Valquírias que por mim lutam.
Destino cansado
pés velhos
rugas de decepção
corpo petrificado
Falácias
Salvação pouco provável
Eterno Inferno de Repetições repetidas repetidamente redundantes redundâncias e pleonasmos.
Palavras quebradas desembaralhando-se por essas linhas constituem pseudo frases...
Me violento sempre e depois vomito aqui o que sobra


Será que/ 
“No Regret”?